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Santa Paz Sailing Expeditions

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Rotina a bordo 25/01/2010 - 19:16:42 | Sandra

Faz uma semana que estamos ancorados em Tyrrel Bay, na ilha de Carriacou, envolvidos na rotina de manutenção do barco, atividades com as crianças, rotina de casa. Hoje senti o peso da rotina. Saí de Grenada com a expectativa de conhecer belas ancoragens, mergulhar nas águas claras do Caribe e aqui estamos nós, envolvidos com limpeza, cozinha e resinas. Rotina depende da maneira como olhamos para ela. Rotina boa é ritmo, que, como a respiração, é fundamental para organizar a vida. Eu sempre gostei de ritmo na minha vida, sinto que quando tenho uma rotina estabelecida, abro espaço para mim, para as coisas que quero. A linha que separa essa rotina que organiza da que estagna é tênue. Hoje senti essa rotina que pesa, cansa, traz a sensação de que um dia é igual ao outro, que estamos parados no mesmo lugar. Por um instante, penso “ontem o bolo de cenoura solou, hoje o pão integral ficou ótimo”. Que olhar pequeno, como se a vida realmente se resumisse a tão pouco.Na verdade, estamos crescendo bastante no meio da rotina da vida a bordo. Hoje fizemos pão, uma vivência que trouxe recordações da escola e do afeto que todos temos por ela. Júlia lembrava dos ingredientes, Clara sabia a receita de cor. Todas cantamos “compadre padeiro, que cheiro gostoso, mistura farinha, a água de tanto amassar, sovar, enrolar, o pão bem gostoso vai ficar...” , afinal “tem que cantar para o pão crescer, mamãe”, me ensina a Júlia. Amasso o pão e lembro do meu pai, de quantas vezes fizemos isso juntos desde que tenho a idade das meninas. Lembro do Aldo, amigo querido que fez a travessia do Atlântico conosco e que conseguiu a outra receita de pão que fiz hoje. Fazer pão junto une. Comer no almoço o pão que acaba de sair do forno traz satisfação. Sentimento de auto-suficiência. Estamos em uma ancoragem onde só tem o básico, e pão não está na lista. Ter pão fresco é especial. Dividir o pão, compartilhar o alimento. Alimento sagrado, que alimenta o corpo e o espírito.Enquanto isso, Lucas pede ajuda com a resina. Está consertando o leme do optimist emprestado que é nosso novo brinquedo desde que chegamos aqui. Ajudo no conserto do leme e, como tudo é imitação, Clara depois vira a assistente do conserto da gaiúta da mesa de navegação, que está fazendo água. A satisfação da Clara em ajudar o pai nas tarefas do barco é grande. Lembro novamente de meu pai e de como eu me sentia feliz em ser sua companheira de mergulho. Lucas constrói seus vínculos com as filhas. Aos poucos as meninas assumem mais responsabilidade. Clara lava a louça do almoço (é verdade que se importa mais com a quantidade de panelas usadas do que com o que tem para comer), Júlia a do café da manhã. Fazer isso com pouca água ainda é um desafio, já teve até prêmio a bordo para ver quem lava a louça (bem lavada, claro) com menos água. Arrumar a cama, se vestir, pentear o cabelo e escovar os dentes sozinhas pela manhã demorou um pouco mais, mas aos poucos fazem tudo direitinho. A primeira vez fizeram surpresa, chegaram no quarto para dar bom dia vestidas e penteadas, com o convite para ver a cama arrumada. Transformar isso em hábito ainda exige paciência e disciplina - aliás, como tudo na vida.Quando olho para os vínculos e valores que estamos construindo juntos na nossa família, sinto que estamos no caminho certo. O peso da rotina vai embora com o mar e fica a sensação de que estamos no caminho certo. É essa certeza que tem aflorado em mim desde que embarcamos em Trinidad Tobago, em dezembro. O momento de viver essa nova viagem é agora, depois as meninas vão crescer e nós viveremos outras experiências - com o coração tranqüilo de que aproveitamos ao máximo esse tempo juntos.

 



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